domingo, 1 de janeiro de 2012

Carta de Policarpo de Esmirna aos Filipenses

Carta de Policarpo de Esmirna aos Filipenses
(Da tradução comum, em português, de minha pesquisa na internet, alterada)


Policarpo e os anciãos que estão com ele, à congregação de Deus que vive como estrangeira em Filipos. A misericórdia e a paz sejam dadas em plenitude pelo Deus Todo-poderoso e por Jesus Cristo nosso salvador.
I

Participei grandemente da vossa alegria, em nosso Senhor Jesus Cristo, quando recebestes os imitadores do verdadeiro amor. De fato, como vos era conveniente, acompanhastes os que estavam acorrentados com cadeias dignas dos santos, as quais são os diademas daqueles que verdadeiramente foram escolhidos por Deus e nosso Senhor. (Alegro-me) ainda que a raiz firme de vossa fé, falando de dias a muito transcorridos, permanece até agora e frutifica em nosso Senhor Jesus Cristo, que aceitou sair ao encontro da morte pelos nossos pecados, e que Deus o ressuscitou, livrando-o do abismo. Sem tê-lo visto, vós acreditais nele com alegria indizível e gloriosa, que muitos querem conseguir. E vós sabeis que é pela benignidade imerecida que fostes salvos, não pelas obras, mas pela vontade de Deus, por intermédio de Cristo Jesus.

II 

Por isso, cingi vossos rins e servi a Deus no temor e na verdade, abandonando as palavras vãs e o erro de muitos, crendo naquele que ressuscitou nosso Senhor Jesus Cristo dos mortos e lhe deu a glória e o trono à sua direita. Tudo o que existe no céu ou na terra lhe está submisso; tudo o que respira o celebra, a ele que vem como juiz dos vivos e dos mortos, e de cujo sangue Deus pedirá contas àqueles que não confiam nele. Aquele que o ressuscitou dos mortos também nos ressuscitará, se fizermos a sua vontade, se caminharmos em seus mandamentos, e se amarmos o que ele amou, abstendo-nos de toda injustiça, ambição, amor ao dinheiro, maledicência, falso testemunho, não retribuindo o mal com o mal, injúria com injúria, golpe com golpe, maldição com maldição, lembrando-nos do que o Senhor ensinou: “Não julgueis, para não serdes julgados; perdoai, e sereis perdoados; usai misericórdia, para receber misericórdia; a medida com que medirdes, servirá também a vós; felizes os pobres e aqueles que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino de Deus.”


III 

Irmãos, não é por mim mesmo que vos escrevo essas coisas sobre a justiça, mas porque vós mesmos o pedistes a mim. De fato, nem eu, nem qualquer outro como eu pode se aproximar da sabedoria do bem-aventurado e glorioso Paulo. Ele, estando entre vós, falando pessoalmente aos homens de então, ensinou com exatidão e força a palavra da verdade e depois de partir, vos escreveu cartas. Se as lerdes atentamente, podereis edificar-vos na fé que vos foi dada. Ela é a mãe de todos nós, seguida da esperança e precedida do amor a Deus, a Cristo e ao próximo. Aquele que adere a isso, já cumpriu o mandamento da justiça, pois aquele que tem o amor se afasta do pecado.


IV

O princípio de todos os males é a ambição. Sabendo, portanto, que nada trouxemos ao mundo e que nada podemos levar dele, armemo-nos com as armas da justiça e ensinemos primeiro a nós mesmos a caminhar conforme o mandamento do Senhor.

Em seguida, que as vossas esposas caminhem na fé que lhes foi dada, no amor e na pureza, tratando carinhosamente seus maridos com toda fidelidade, amando também os outros com toda a castidade, e educando os filhos no temor de Deus.

Que as viúvas sejam sábias na fé do Senhor e intercedam sem cessar por todos. Fiquem afastadas de toda calúnia, maledicência, falso testemunho, amor ao dinheiro e qualquer mal. Saibam que elas são amparadas por Deus, e que ele examina minuciosamente cada coisa, e nada lhe escapa de nossos pensamentos, sentimentos e segredos do coração.


Portanto, sabendo que de Deus não se mofa, devemos andar de modo digno de seus mandamentos e de sua glória.

De igual forma, que os servos ministeriais sejam irrepreensíveis diante da justiça dele. Como servos de Deus e de Cristo, não dos homens. Que não caluniem, nem sejam dúplices, nem egoístas. Sejam castos em todas as coisas, misericordiosos, zelosos, andando segundo a verdade do Senhor, que se tornou servidor de todos. Se o aguardarmos neste mundo, ele nos dará em troca o tempo futuro, pois ele nos prometeu ressuscitar-nos dentre os mortos, e, se a nossa conduta for digna dele, também reinaremos com ele; se tivermos fé.

Do mesmo modo, que os jovens sejam irrepreensíveis em tudo, preservando antes de tudo a pureza, refreando todo mal que está dentro deles. De fato, é bom repelir os desejos neste mundo, porque todo desejo guerreia contra o espírito. Nem os fornicadores, nem os efeminados, nem homens que exercem desejos desnaturais terão parte no Reino de Deus, nem qualquer praticante de coisas impuras. Por isso, é preciso que eles se abstenham de todas essas coisas, e estejam submissos aos anciãos e aos servos ministeriais, como a Deus e a Cristo.

As virgens devem viver com consciência irrepreensível e pura.

VI 

Os anciãos também sejam compassivos, misericordiosos para com todos. Tragam de volta os desgarrados, visitem todos os doentes, não descuidem a viúva, o órfão e o pobre, mas sejam sempre solícitos no bem diante de Deus e dos homens. Abstenham-se de toda cólera, acepção de pessoas, julgamento injusto, mantenham-se distantes do amor ao dinheiro, não creiam com muita pressa em qualquer um; não sejam severos no julgamento, sabendo que todos nós estamos sob débito do pecado. Se pedimos ao Senhor que nos perdoe, também nós devemos perdoar, pois estamos sob o olhar do Senhor e de Deus, todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si mesmo. Portanto, sirvamos a ele com temor e todo respeito, como ele mesmo nos ordenou, e também os apóstolos que nos anunciaram o Evangelho e os profetas que preanunciaram a vinda de nosso Senhor. Sejamos zelosos no bem, evitando os escândalos, os falsos irmãos e aqueles que, levando hipocritamente o nome do Senhor, enganam os homens vazios.

VII 

Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne, é anticristo; aquele que não confessa o testemunho da estaca de tortura é do diabo; aquele que distorce as palavras do Senhor segundo seus próprios desejos, e diz que não há ressurreição, nem julgamento, esse é primogênito de satanás. Por isso, abandonando os discursos vazios de muitos e falsos ensinamentos, retornemos à palavra que nos foi transmitida desde o começo. Permaneçamos sóbrios nas orações e perseveremos nos jejuns. Supliquemos em nossas orações ao Deus que tudo vê, para não cairmos em tentação, pois assim diz o Senhor: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

VIII

Portanto, sem cessar, estejamos agarrados à nossa esperança e ao penhor de nossa justiça, isto é, Cristo Jesus, que carregou nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro, ele que não cometeu pecado e em cuja boca não foi encontrada nenhuma falsidade, mas que tudo suportou por nós, a fim de que vivêssemos nele.

Imitemos, portanto, a perseverança dele. Se sofrermos por causa do seu nome, o glorificaremos. De fato, esse é o modelo que ele nos apresentou em si mesmo, e nós cremos nisso.

IX

Portanto, eu vos exorto a todos, para que obedeçais à palavra da justiça e sejais constantes em toda a perseverança, que vistes com os próprios olhos, não só nos bem-aventurados Inácio, Zózimo e Rufo, mas ainda em outros que são do vosso meio, no próprio Paulo e nos demais apóstolos. Estejam persuadidos de que nenhum desses correu em vão, mas na fé e na justiça, e que eles estão no lugar que lhes é devido junto ao Senhor, com o qual sofreram. Eles não amaram este mundo, mas àquele que morreu por nós e que Deus ressuscitou para nós.

X

Permanecei, portanto, firmes nessas coisas e segui o exemplo do Senhor, firmes e imutáveis na fé, amantes da fraternidade, amando-vos mutuamente, unidos na verdade, competindo na mansidão do Senhor, não desprezando ninguém.

Quando podeis fazer o bem, não posterguem, porque a misericórdia liberta da morte. Sede todos submissos uns aos outros, que a vossa conduta seja irrepreensível entre as pessoas das nações, para que recebais louvor, pelas vossas boas obras, e o Senhor não seja blasfemado em vós. Ai, porém, daquele mediante o qual o nome do Senhor for blasfemado. Portanto, ensinai a todos a sobriedade, na qual também vós viveis.

XI

Estou muito triste a respeito de Valente, que por algum tempo foi ancião entre vós, por ele ter ignorado dessa maneira o cargo que lhe foi dado. Por isso, vos advirto para que vos abstenhais da avareza e sejais castos e verazes. Abstende-vos de todo mal. De fato, quem não pode governar a si mesmos nessas coisas, como pode exortar os outros? Se alguém não se abstiver da avareza, será contaminado pela idolatria, e será considerado como um das nações que ignoram o julgamento do Senhor. Ou não sabemos que os santos julgarão o mundo, como ensina Paulo? Quanto a mim, não percebi, nem ouvi nada disso a vosso respeito. No vosso meio trabalhou o bem-aventurado Paulo, vós que estais no início de sua carta. De fato, ele se alegra de vós em todas as congregações que na época eram as únicas que conheciam a Deus; nós ainda não o conhecíamos. Portanto, irmãos, fico muito triste por causa dele e de sua esposa. Que o Senhor conceda a eles uma verdadeira penitência. Sede, portanto, moderados também vós a esse respeito e não os considereis como inimigos, mas chamai-os de volta como membros sofredores e desgarrados, para que salveis todo o vosso corpo. Agindo dessa maneira, estareis edificando a vós mesmos.

XII

Creio que sois bem versados nas Escrituras Sagradas e que não ignorais nada; o que, porém, não me foi concedido. Nessas Escrituras está dito: “Encolerizai-vos e não pequeis, e que o sol não se ponha sobre vossa cólera.” Feliz quem se lembrar disso. Acredito que é assim convosco. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo sumo-sacerdote eterno, Jesus Cristo Filho de Deus, nos edifique na paciência e longanimidade, na tolerância e castidade. Que ele vos conceda herança e parte entre seus santos, e convosco também a nós e a todos aqueles que estão sob o céu e que acreditaram em nosso Senhor Jesus Cristo e no próprio Pai, que o ressuscitou dos mortos. Orai por todos os santos. Orai também pelos reis, autoridades e príncipes, pelos que vos perseguem e vos odeiam, pelos inimigos da estaca de tortura. Desse modo, o vosso fruto será manifesto em todos, e vós sereis perfeitos nele.

XIII 

Vós e Inácio me escrevestes para que leve também a vossa carta, caso alguém vá até a Síria. Se tiver boa oportunidade, farei isso pessoalmente, ou enviarei um encarregado, que irá também como vosso representante. Como nos pedistes, estamos enviando para vós as cartas de Inácio, por ele endereçadas a nós, assim como as outras que temos conosco. Todas elas vão junto com esta, e podereis aproveitar muito. Elas contêm fé, perseverança e toda edificação quanto a nosso Senhor. Comunicai-nos aquilo que ficarem sabendo sobre Inácio e sobre aqueles que com ele estão.

XIV

Eu vos escrevo esta por meio de Crescente, que há pouco tempo vos recomendei e que recomendo agora. Ele se portou de modo irrepreensível entre nós, e creio que fará o mesmo entre vós. Eu vos recomendo também a sua irmã, quando ela for até vós. Permanecei incólumes no Senhor Jesus Cristo e na benignidade com todos os vossos. Amém.


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